Acompanhei várias reflexões sobre nosso período político e diferente de alguns vejo q a troca de reflexão nas redes sociais ajudam bastante, gostei de todas as contribuições para compreender o período, só chamo atenção para alguns pontos observados..
A grande maioria destaca e aponta a política de conciliação de classes do período anterior, como o elemento dinamizador e culpado da correlação de forças que a esquerda se encontra agora, bem como as últimas derrotas das contra reformas sofridas nesse último período curto são frutos tbm do período ptista, a primeira vista, essa leitura aparenta um diagnóstico correto, principalmente dada a forma como o PT foi jogado e escorraçado do balcão de negócios da burguesia ( o Estado), mesmo garantindo todos os ganhos de excedentes sob forma de juros, lucro e flexibilização fiscal, não foi o bastante para ser aceito pela classe dominante brasileira
No entanto, antes de tal apontamento ( erro tático do PT), faz-se necessário, olharmos para esse momento, com a mesma atenção que um médico cirurgião necessita numa cirurgia de alto grau de risco em que qualquer vacilo é fatal para o paciente, porque o golpe brasileiro e a ofensiva de forças internas e externas contra as forças progressistas na América Latina elevaram a complexidade da forma de usurpar os direitos e a luta dos trabalhadores.
A política de conciliação de classes, foi o fio condutor do período Lula e Dilma,todos os setores da burguesia tiveram ganhos significativos nesse período e aqueles q se mostraram "fracos” conseguiram subsídios e flexibilidade fiscal para atuar, como foi a título de exemplo, os microempresários e industriais. no outro lado do tabuleiro os trabalhadores q desde o período de redemocratização brasileira, o período Lula foi o único que garantiu ganhos reais no salário, acesso ao crédito, políticas afirmativas, o crescimento das universidades federais, o combate a pobreza, a falta de saneamento básico em muitos lugares do interior do país, entre outras inúmeras políticas de fomento social, garantiram uma melhoria substancial no nível de bem estar do povo, .garantiram um período importante para os brasileiros acreditarem no seu potencial, muitos voltaram a estudar e acreditar no futuro e isso não é pouca coisa não, apesar de contraditoriamente isso expressar pouco no orçamento da união, seu efeito elástico foi enorme porque basicamente "pessoas que não entravam no orçamento federal começaram a entrar" como disse o próprio Lula e isso gerou um efeito multiplicador de impacto significativo.
Afirmar hoje que a política de conciliação de classes foi uma tática errada, sem analisar a correlação de forças do período anterior é um erro idealista raso, porque essa afirmação cai no achismo de que o seu contrário se tivesse sido aplicado no período anterior conseguiria hj êxito organizativo, o q não é verdade, aliás, não passaria pelo crível do PIG, se engana quem pensa que caçam o Lula pela questão da corrupção, atacam o Lula, pelo espectro de esquerda q ele representa, uma postura mais à esquerda q tiver o mesmo destaque de Lula, enfrentará a mesma perseguição q o mesmo está sofrendo, isso é o óbvio ululante q muitos não querem ver e, quando olhamos para países com combatividade relativa maior que o Brasil, eles também se encontram sob ataque de suas burguesias internas e externas, como é o caso da Venezuela, o q mostra q a questão vai além do mero diagnóstico de erro tático do PT. a perspectiva que cabe nesse momento é pensar o esgotamento de tal política e note, esgotamento é totalmente diferente de erro, o esgotamento de tal tática, foi o amadurecido forçado no interior das suas contradições, isso quer dizer que a possibilidade de conciliação se esgotou? sim e nao, sim porque a classe dominante brasileira, por sua postura histórica antecipa a retirada das forças populares já antevendo que no longo prazo os ganhos paliativos dos trabalhadores pode significar uma elevação dos tensionamentos de classe assim como sua postura de subordinação histórica como classe dominante no papel do Brasil na divisão internacional do trabalho. e nao porque o país por conta da sua extrema desigualdade social, se tivesse uma classe dominante compromissada com os interesses nacionais e ciente do seu papel histórico quanto classe, a tática de conciliação ainda conseguiria avançar e muito sem negar no seu interior a construção do movimento da independência de classe trabalhadora que nao passa pela via eleitoral estritamente, ainda sob forma de ganhos de suas necessidades reais, colocaria outros desafios para a organização de independência de classe ao subentender q a tarefa dos trabalhadores tbm passa pela luta da soberania nacional e reconhecimento da necessidade das reformas clássicas q em si seriam competência da classe dominante isso é diferente de etapismo, nesse ponto cabe pontuar q faltou ousadia do período Lula para as reformas estruturantes( e sobre isso caberia uma outra reflexão)
Uma observação, que merece atenção é a última eleição de 2014, Dilma ganhou com um programa eleitoral de afirmação de ganhos sociais e seu aprofundamento e conjuntamente de um combate aos setores rentistas da sociedade, pode-se dizer q seria um passo importante para sinalização de uma virada do leme à esquerda, naquela eleição apesar de acirrada, os termos dados já apontavam para o esgotamento do período de conciliação, o povo já estava dando a linha para isso de forma difusa como esperado, mas colocaram seus votos em Dilma. infelizmente por erros táticos( agora nesse momento sim. cabe a reflexão de erro tático, além de uma crítica séria ao período Dilma, que rompeu o diálogo com as forças sociais e com a própria direção do PT, além de um governo de sinalizações turvas no primeiro mandato, ora de enfrentamento, ora de manutenção) e com a grande pressão da burguesia financeira, o governo ptista cedeu e, morreu com a tesoura marshalliana do mercado cravada no peito. nesse processo todo Lula, foi colocado à esquerda pela negação de estadista pela própria direita e pelas mobilizações de rua de setores da classe média, ainda é cedo para afirmar que o PT entendeu esse processo mas há pequenos indícios que sim. porém, essa organização necessitará de uma ousadia explicita para conseguir novamente o apoio de setores populares para além daquele q já o apoiam.coloca-se em jogo a unidade da esquerda como passo fundamental, Lula por sua vez, ou assume a tarefa histórica q lhe é colocada ou amargará uma condenação histórica pelos seus acertos.
o jogo de agitação eleitoral de 2018 começa a ganhar corpo, dado que os trabalhadores só irão sair em greve geral novamente se tiver uma paralisação ampla das principais categorias, no entanto, esses principais setores se sentem acuados nesse momento, dada a tamanha brutalidade desse processo contra os trabalhadores e a grande pressão q as incertezas dessa crise coloca no seu cotidiano, mas esse recuo nao é falta de combatividade, sao coisas distintas, quem acompanhou o q foi a assembleia dos metroviários no seu recuo na última greve sabe do q se trata, nesse processo abriu-se uma forte possibilidade para esquerda não ter medo de dizer seu nome e fazer a disputa de um projeto político ousado, com aprofundamento de direitos sociais e revogação irrestrita às contra reformas encampadas por esse governo ilegítimo, e a importância da agitação das eleições nesse momento é importante como a garantia q a mesma ocorra.
