sábado, 3 de setembro de 2022

Rascunhos da Atualidade de Marta Harnecker


“Estar de ouvido atento a todas as soluções que o próprio povo gera para se defender ou para lutar pelas suas reivindicações.”

Nos últimos anos muitas organizações fizeram uma releitura do seu processo histórico perante ao bolsonarismo, para afinarem suas estratégias ao desafio de atuação sob a égide de um governo de ultradireita.

Algumas lideranças populares,  observam que o cenário adverso colocou em alerta máximo organizacional de suas agendas, dado o desgaste político e mental de atuar no cenário bolsonarista, assim como destacam também, que a organização popular amadureceu nesses últimos quatro anos, o que não conseguia vislumbrar na primeira década deste início do século XXI, sobretudo, no papel do Estado.  Sabe-se que o cenário para as  reivindicações da sociedade civil nunca foi favorável, dada a questões históricas e estruturais do Brasil, ela  tem como  desafios primários, aqueles que Darcy Ribeiro conceituava de “desmobilização como um projeto político de país”, porém desde o período militar não se tinha registro de uma profunda violência em todos os âmbitos por parte do Estado brasileiro.

Com isso, o fenômeno bolsonarista colocou na ordem do dia, a necessidade das forças populares, fortalecer suas estratégias com o vínculo territorial, sobretudo, na solidariedade para amenizar os efeitos da maior pandemia contemporânea.

O desafio maior dos setores de resistência ao bolsonarismo, se deu em

1.primeiro, compreender que diferente do que alguns ventilavam que se tratava de uma má condução e um desgoverno, com uma composição de incompetentes  e isso é verdade, no entanto, a lente de leitura deste fenômeno passa por entendê-lo como resultado de uma contradição da crise estrutural do capitalismo e na falta de postura soberana por parte do bloco do poder brasileiro, tendo como porta - vozes setores da mídia, essa junção pariu o fenômeno bolsonarista, que tem forma embrionária axiomas da ultra direita vinculadas com a teoria QuAnon.

E na esteira história  do desafio organizativo das forças populares, como aponta Marta Harnecker, a esquerda latino-americana vive uma profunda crise programática, que não é alheia à crise teórica. Após a crise do socialismo soviético, a crise do Estado benfeitor impulsionado pela social – democracia europeia e o desenvolvimentismo populista latino-americano, a que se acrescenta a constatação das potencialidades que ainda contem o capitalismo, a esquerda teve grandes dificuldades para conceber “ um projeto transformador que possa assumir os dados da nova realidade mundial”e permita confluir, num único feixe todos os setores sociais afetados pelo regime imperante (Almeyda, 1997, p.14). Há um excesso de diagnóstico e uma ausência terapêutica. “ p.23

No entanto, não podemos afirmar que em questões programáticas a esquerda encontra-se de mãos vazias; existem formulações e práticas alternativas, que simplesmente não se materializam em um projeto acabado e convincente.

Entre práticas alternativas mais interessantes encontram- se as experiências sociais que vem sendo feitas pela esquerda em várias cidades dos países da América Latina, aponta Harnecker. Mas falta um trabalho de sistematização de todas essas experiências e de projeção e unidade às diferentes práticas. “

2. Dificuldades de uma prática política alternativa.

Juntamente a falta de uma proposta alternativa rigorosa e viável, há outros dois elementos que dificultam o posicionamento alternativo da esquerda. Em primeiro lugar, o de adotar uma prática politica pouco diferenciada da prática habitual dos partidos tradicionais, sejam de direita ou centro. E isso se dá dentro de um contexto de um crescente ceticismo popular em relação a política e aos políticos. As pessoas estão fartas da prática partidária pouco transparente e corrupta; já não querem saber de mensagens que não passam de mera palavra que não traduzem em atos.

3. O perigo de apenas “administrar bem” o capitalismo reformado.

Governos de esquerda tem feito presente na AL, dado ao crescente descontentamento popular produzido pelas medidas neoliberais afetam setores sociais cada vez mais amplo. Existe o perigo de, uma vez no governo, limitar-se a administrar a crise e a fazer a mesma politica dos partidos de direita, aprofundar a crise e fechar a viabilidade de um projeto de soberania nacional.

4. É possível construir uma alternativa.

Mas aceitar que existe uma crise programática significa ficar de braços cruzados. A esquerda poderá construir uma alternativa apesar da correlação de forças em âmbito mundial . É obvio que a ideologia dominante encarrega-se de dizer que não existe alternativa, e os grupos hegemônicos não se limitam a declarações, fazendo todo o possível para afastar toda a alternativa que lhe atravesse o caminho 

5. A política como a arte de tornar possível o impossível.

Gramsci criticou o realismo excessivo, porque este leva a afirmar que os políticos só devem agir no âmbito da “realidade efetiva” não devendo interessar-se pelo “deve ser”, mas unicamente pelo ser, o que implica que esses politicos nao sao capazes de ver para além de seu nariz.

A arte da política é também saber discernir, dentro das impossibilidades transcendentais das que podem transforma-se em possibilidades se criarem as condições necessárias para isso e nesse cenário que o Estado passa por uma ferramenta tática de possibilidades dos atores que não entraram no campo institucional.

Bibliografia:

Ideias para a luta, Marta Harnecker, 2018. Expressão Popular

Os Desafios da Esquerda Latino - Americana, Marta Harnecker, 2019. Expressão Popular

Guerras Hibridas - Das Revoluções Coloridas aos Golpes., Andrew Korybko,2018. Expressão Popular


sexta-feira, 25 de agosto de 2017

De onde vem o silêncio?



Um vendedor  de macaxeira da cidade de Vitória De Santo Antão, interior de Pernambuco, teve seu carrinho cheio de macaxeira para vender, aprendido pela fiscalização da prefeitura da cidade na últma segunda-feira(21), ele tentou resistir e assegurar seu meio de sustento, no entanto, a brutalidade e, a violência dos fiscais da prefeitura, sucumbiram sua astúcia. E o carrinho foi confiscado. Além do seu trabalho de colheita como agricultor, esmagado pelas rodas do caminhão da fiscalização.
Esse acontecimento revoltou os moradores da cidade que se encontravam no local um motim pedindo justiça! nesse período de intervenção dos populares, o agricultor, irmão Valdecir (como conhecido pela cidade) sentiu a força coletiva a seu favor, pode parecer pouco, mas, nessas horas a empatia toma proporções que salva vidas...
Acontecimentos como esse descrito acima, traduz a violência e a repressão social que o Estado brasileiro está executando contra seu povo, e o advento das ferramentas de vídeo das redes sociais não deixa escapar, o dia-dia,  da brutalidade do aparato estatal contra o povo, outros exemplos como o que vem ocorrendo no RJ, casos recentes no Jacarezinho(com o exército) e nas ruas de SP, a repressão de movimentos sociais e favelas, mostram  também atitudes de resistência do povo,porém, não se viu uma nota de repúdio em algum boletim de organização política local ou nacional, absoluto o silêncio e não do povo, mas, das organizações.
A repressão policial aliada as (contra) reformas, expressa uma relação social de tamanha violência para com os mais pobres, dada a falta de condição organizativa e estrutural, são esses que dificilmente participam de atividades políticas, dada as condicionantes estruturais históricas de relação de classes brasileira, são esses que se encontram na ante-sala das principais mudanças políticas, são esses que se encontram em condições materiais na média melhores do que suas gerações passadas, mas que mesmo assim, não encontram efetivamente representatividade política e nas periferias urbanas, são poucos os que participam de alguma organização efetiva, mas eles se organizam para atividades micro de seu cotidiano, como por exemplo, lazer.Tem uma juventude com possibilidades organizativas mas que não encontram referência em nenhum partido, o levante dos secundaristas é um exemplo disso.
No geral, como mostrou uma pesquisa feita pela Perseu Abramo**, a periferia tem um comportamento difuso, mas, compreende como importante o papel do Estado como indutor de políticas públicas. E foi em grande medida esse projeto indutor, vencedor das últimas eleições à presidência.
Não existe vácuo político, assim como não existe também um silêncio do povo, em relação aos retrocessos encampados por Temer, o silêncio se repousa em setores da classe dominante brasileira e seus adjacentes silenciados, o silêncio das panelas é o silêncio da classe dominante, porque a classe média(em sua grande maioria) é apenas a propagadora e reprodutora por excelência dos anseios do andar de cima.
O povo por sua vez, só entra efetivamente no debate político em período eleitoral que em termos de qualidade participativa isso é muito aquém, não bateu panela e tão pouco acredita nos resultados da lava-jato, ele precisa de organização efetiva de suas pautas cotidianas lá no bairro.
O que falta é uma organização que canalize as revoltas do povo que grita por justiça.O exemplo das cidades citadas acima, mostram essa aclamação, cabe as organizações de esquerda e os movimentos sociais, ir ao encontro e tomar a frente em termos organizativos, desse clamor, alguém está ganhando com essa ausência, e pode ser a vitória de uma outra etapa mais brutal do golpe.
Setores da esquerda que apontam todas as culpas para o PT e, não conseguem reconhecer sua  própria falta de inserção efetiva para com o povo, cometem dois erros: o primeiro, é de ficar a reboque da mesma crítica que setores de direita faz ao PT e, o segundo mais  grave, continuam sem aderência com o povo, dada que no limite das suas análises, o erro foi do PT, o erro foi de direção, o erro foi do povo que escolheu o PT não a nós, os verdadeiros iluminados.








** https://fpabramo.org.br/wp-content/uploads/2017/03/Pesquisa-Periferia-FPA-040420172.pdf



quarta-feira, 19 de julho de 2017

O Simplismo Fisiológico do Esquerdismo.


Acompanhei várias reflexões sobre nosso período político e diferente de alguns vejo q a troca de reflexão nas redes sociais ajudam bastante, gostei de todas as contribuições para compreender o período, só chamo atenção para alguns pontos observados..

A grande maioria destaca e aponta a política de conciliação de classes do período anterior, como o elemento dinamizador e culpado da correlação de forças que a esquerda se encontra agora, bem como as últimas derrotas das contra reformas sofridas nesse último período curto são frutos tbm do período ptista, a primeira vista, essa leitura aparenta um diagnóstico correto, principalmente dada a forma como o PT foi jogado e escorraçado do balcão de negócios da burguesia ( o Estado), mesmo garantindo todos os ganhos de excedentes sob forma de juros, lucro e flexibilização fiscal, não foi o bastante para ser aceito pela classe dominante brasileira
No entanto, antes de tal apontamento ( erro tático do PT), faz-se necessário, olharmos para esse momento, com a mesma atenção que um médico cirurgião necessita numa cirurgia de alto grau de risco em que qualquer vacilo é fatal para o paciente, porque o golpe brasileiro e a ofensiva de forças internas e externas contra as forças progressistas na América Latina elevaram a complexidade da forma de usurpar os direitos e a luta dos trabalhadores.
A política de conciliação de classes, foi o fio condutor do período Lula e Dilma,todos os setores da burguesia tiveram ganhos significativos nesse período e aqueles q se mostraram "fracos” conseguiram subsídios e flexibilidade fiscal para atuar, como foi a título de exemplo, os microempresários e industriais. no outro lado do tabuleiro os trabalhadores q desde o período de redemocratização brasileira, o período Lula foi o único que garantiu ganhos reais no salário, acesso ao crédito, políticas afirmativas, o crescimento das universidades federais, o combate a pobreza, a falta de saneamento básico em muitos lugares do interior do país, entre outras inúmeras políticas de fomento social, garantiram uma melhoria substancial no nível de bem estar do povo, .garantiram um período importante para os brasileiros acreditarem no seu potencial, muitos voltaram a estudar e acreditar no futuro e isso não é pouca coisa não, apesar de contraditoriamente isso expressar pouco no orçamento da união, seu efeito elástico foi enorme porque basicamente "pessoas que não entravam no orçamento federal começaram a entrar" como disse o próprio Lula e isso gerou um efeito multiplicador de impacto significativo. 
Afirmar hoje que a política de conciliação de classes foi uma tática errada, sem analisar a correlação de forças do período anterior é um erro idealista raso, porque essa afirmação cai no achismo de que o seu contrário se tivesse sido aplicado no período anterior conseguiria hj êxito organizativo, o q não é verdade, aliás, não passaria pelo crível do PIG, se engana quem pensa que caçam o Lula pela questão da corrupção, atacam o Lula, pelo espectro de esquerda q ele representa, uma postura mais à esquerda q tiver o mesmo destaque de Lula, enfrentará a mesma perseguição q o mesmo está sofrendo, isso é o óbvio ululante q muitos não querem ver e, quando olhamos para países com combatividade relativa maior que o Brasil, eles também se encontram sob ataque de suas burguesias internas e externas, como é o caso da Venezuela, o q mostra q a questão vai além do mero diagnóstico de erro tático do PT. a perspectiva que cabe nesse momento é pensar o esgotamento de tal política e note, esgotamento é totalmente diferente de erro, o esgotamento de tal tática, foi o amadurecido forçado no interior das suas contradições, isso quer dizer que a possibilidade de conciliação se esgotou? sim e nao, sim porque a classe dominante brasileira, por sua postura histórica antecipa a retirada das forças populares já antevendo que no longo prazo os ganhos paliativos dos trabalhadores pode significar uma elevação dos tensionamentos de classe assim como sua postura de subordinação histórica como classe dominante no papel do Brasil na divisão internacional do trabalho. e nao porque o país por conta da sua extrema desigualdade social, se tivesse uma classe dominante compromissada com os interesses nacionais e ciente do seu papel histórico quanto classe, a tática de conciliação ainda conseguiria avançar e muito sem negar no seu interior a construção do movimento da independência de classe trabalhadora que nao passa pela via eleitoral estritamente, ainda sob forma de ganhos de suas necessidades reais, colocaria outros desafios para a organização de independência de classe ao subentender q a tarefa dos trabalhadores tbm passa pela luta da soberania nacional e reconhecimento da necessidade das reformas clássicas q em si seriam competência da classe dominante isso é diferente de etapismo, nesse ponto cabe pontuar q faltou ousadia do período Lula para as reformas estruturantes( e sobre isso caberia uma outra reflexão)
Uma observação, que merece atenção é a última eleição de 2014, Dilma ganhou com um programa eleitoral de afirmação de ganhos sociais e seu aprofundamento e conjuntamente de um combate aos setores rentistas da sociedade, pode-se dizer q seria um passo importante para sinalização de uma virada do leme à esquerda, naquela eleição apesar de acirrada, os termos dados já apontavam para o esgotamento do período de conciliação, o povo já estava dando a linha para isso de forma difusa como esperado, mas colocaram seus votos em Dilma. infelizmente por erros táticos( agora nesse momento sim. cabe a reflexão de erro tático, além de uma crítica séria ao período Dilma, que rompeu o diálogo com as forças sociais e com a própria direção do PT, além de um governo de sinalizações turvas no primeiro mandato, ora de enfrentamento, ora de manutenção) e com a grande pressão da burguesia financeira, o governo ptista cedeu e, morreu com a tesoura marshalliana do mercado cravada no peito. nesse processo todo Lula, foi colocado à esquerda pela negação de estadista pela própria direita e pelas mobilizações de rua de setores da classe média, ainda é cedo para afirmar que o PT entendeu esse processo mas há pequenos indícios que sim. porém, essa organização necessitará de uma ousadia explicita para conseguir novamente o apoio de setores populares para além daquele q já o apoiam.coloca-se em jogo a unidade da esquerda como passo fundamental, Lula por sua vez, ou assume a tarefa histórica q lhe é colocada ou amargará uma condenação histórica pelos seus acertos.
o jogo de agitação eleitoral de 2018 começa a ganhar corpo, dado que os trabalhadores só irão sair em greve geral novamente se tiver uma paralisação ampla das principais categorias, no entanto, esses principais setores se sentem acuados nesse momento, dada a tamanha brutalidade desse processo contra os trabalhadores e a grande pressão q as incertezas dessa crise coloca no seu cotidiano, mas esse recuo nao é falta de combatividade, sao coisas distintas, quem acompanhou o q foi a assembleia dos metroviários no seu recuo na última greve sabe do q se trata, nesse processo abriu-se uma forte possibilidade para esquerda não ter medo de dizer seu nome e fazer a disputa de um projeto político ousado, com aprofundamento de direitos sociais e revogação irrestrita às contra reformas encampadas por esse governo ilegítimo, e a importância da agitação das eleições nesse momento é importante como a garantia q a mesma ocorra.





quarta-feira, 23 de novembro de 2016

O conselhão.


Criado em 2003, o “conselhão" (Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social) tinha como objetivo ter representantes da sociedade civil para auxiliar o executivo no planejamento de políticas sociais e econômicas. Continuou suas atividades ao longo desses treze anos, composto por movimentos sociais, empresariado, atores e uma gama de pessoas e organizações com destaque nos acontecimentos nacionais.
Neste último dia 21, foi realizada sua primeira reunião sob a égide do #regimegolpistacommedoemojidoface, tombaram desse conselho os representantes sociais, atores e lideres sindicais, a parcela  progressista, foi demitida! não vai ser mais ouvida, alguns foram notificados por telefone. Até aí então, nada de novidade na façanha golpista, agora o cenário está pronto para ouvir os que realmente têm importância nesse país….
Em pleno século XXI, a frase do ministro da comunicação nazista Goebbels “ uma mentira repetida mil vez se torna verdade” se tornou um mantra imaculado da mídia brasileira, ela a mídia, prepara o terreno formidável para o ataque aos diretos dos trabalhadores, com seus fuzis informativos que adentram as casas dos trabalhadores, com a convicção e sem provas. Porque nunca se viu a mídia brasileira de grande porte noticiar com detalhe o que e com que é gasto o orçamento federal, assim, sem mostrar as provas, apontam os culpados da vez, para nenhuma surpresa, a previdência e os gastos sociais, são os grandes vilões da economia.

pro povo só as migalhas das favas !

Meireles, o novo e velho ministro da fazenda, nos tempos de ministro da estrela vermelha, destacava a importância dos investimentos sociais, quando ministro de Lula. Nesse último dia 21, afirmou “, os gastos com a Previdência, a assistência social e os programas de transferência de renda foram responsáveis pelo crescimento expressivo dos gastos nos últimos anos.” para deleite da burguesia financeira e industrial que estava presente. Toda bancada da burguesia brasileira presente cobrou com urgência as reformas da previdência e trabalhista, não ouve divergência entre interesses de corte entre a burguesia financeira e industrial, porque o corte é único, nos direitos do povo.
Temer,  começou seu discurso culpando o último governo tombado, de faltar com a verdade, ele pode ter razão nesse aspecto, porém, ele também está longe, bem aquém dela, aliás, montou um conluio e mantêm a verdade sequestrada, a democracia, está sucumbida nas catacumbas do congresso mais conservador dos últimos trinta anos.
A composição desse conselho e suas primeiras decisões não deixam dúvidas da ofensiva de levar até o fim todos os cortes necessários para compensar a perda das taxas de lucro do setor financeiro e industrial. Por incrível que pareça a taxa de lucro do rentismo banqueiro, nesse último trimestre desacelerou...
Aos trabalhadores, a luta o espera assiduamente nas ruas para tombar aqueles que ousam  retirar suas conquistas históricas é isso ou o aprofundamento da barbárie cotidiana.


PS.: o Bolsa empresário continuará muito bem, ele equivale sete vezes o bolsa família e muito maior do  que o orçado para saúde em 2017.






quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Síntese -Trabalho Estranhado e Propriedade Privada -do Manuscritos Econômicos - Filosóficos K.Marx

Nesse capítulo dos manuscritos de Marx, encontramos uma reflexão intrigante  que nos remete a relacionarmos a problemática expressada na propriedade privada , separação  do trabalho,capital e   renda.Fazendo uma imersão da grandeza  que separa a força de trabalho do seu sentido genérico.Retomando aspectos da inversão já problematizada na crítica da filosofia do direito  de Hegel,encontramos novamente sua análise projetando o caráter alienante do modo de produção capitalista,  de maneira especulativa, não de  menor importância,  a sua crítica remete a perguntar:qual a origem da alienação?qual a origem do estranhamento? esse é o debate central, por ora o que é dado como natural no movimento da sociedade, Marx aponta que é só a ponta do iceberg, seu desdobramento.
“Agora temos, portanto, de conceber a interconexão essencial entre propriedade privada, a ganância, a separação de trabalho,capital e propriedade privada da terra, de troca e concorrência etc., de  todo esse estranhamento com o sistema do dinheiro”pag. 80
    E sobre esse mesmo aspecto, com um rico teor filosófico, que Marx apresenta o trabalho, como exteriorização da essência humana,através da transformação da natureza como atividade vital,mas o que fica claro já nas abordagens desse  manuscrito  é a apropriação dessa atividade universal não pelo trabalhador mas por outrem,é nessa cisão,na fragmentação, que Marx enfatiza sua reflexão.E aponta de maneira clara que a função universal, se tornou um meio de vida, essa sem sentido nenhum, a ponto do trabalhador não ter a dimensão de sua força motriz, e se reconhecendo como ser “cheio de vida” fora do trabalho.E o teor desse contraste é  de tamanha grandeza, ao ponto de  levar o universal, o que seria uma  característica de realização do ser social, uma existência plena de sociabilidade, remete a uma posição oposta de reconhecimento de si.
“Chega-se,por conseguinte, ao resultado de que o homem (o trabalhador só se sente o [ser] livre e ativo em  suas funções animais,comer,beber e procriar  quando muito ainda habitação,adornos etc.,e em funções humanas [ se sente] como animal.O animal se torna humano, e o humano animal.
Comer,beber, e procriar etc.,são também  é verdade,funções genuína [mente] humanas.Porém na abstração que as separa da esfera restante da atividade humana , e faz delas finalidades ultimas e exclusivas são [funções] animais.”pg83

       Nesse conjunto de reflexão, a indagação pertinente é  quanto de irracional se submete as relações proveniente do modo de produção, tornando tudo  e todos coisificações, ao ponto   do produto do trabalho se  tornar o determinante da vida social, já não é o sujeito detentor de seu “destino” mas algo fora dele que o determinará  e ao fazê-lo será epicentro de si,o moldurando de acordo com sua “vontade” de acordo com a reprodução do capital.
       Nesse sentido sua abordagem longe de um empirismo se mostra na analise concreta no interior  da realização do trabalho.
“ Através do trabalho estranhado,exteriorizado, o trabalhador engendra,portanto,a relação de alguém estranho ao trabalho – do homem situado fora dele – com este trabalho.A relação do trabalhador com o trabalho engendra a relação do capitalista (ou como queira nomear o senhor do trabalho )com o trabalho.
A propriedade privada é, portanto, o produto,o resultado, a conseqüência necessária do trabalho exteriorizado ,  da relação externa do trabalhador com a natureza e consigo mesmo.”pg 87
    Nota-se que nesse esboço (1844) Marx  faz o esforço de diagnosticar as amarras que não permite  o homem de realizar seu caráter emancipatório,que desembocará na crítica da atividade econômica esmiuçada  nas obras posteriores.