Nesse capítulo dos manuscritos de Marx, encontramos uma reflexão intrigante que nos remete a relacionarmos a problemática expressada na propriedade privada , separação do trabalho,capital e renda.Fazendo uma imersão da grandeza que separa a força de trabalho do seu sentido genérico.Retomando aspectos da inversão já problematizada na crítica da filosofia do direito de Hegel,encontramos novamente sua análise projetando o caráter alienante do modo de produção capitalista, de maneira especulativa, não de menor importância, a sua crítica remete a perguntar:qual a origem da alienação?qual a origem do estranhamento? esse é o debate central, por ora o que é dado como natural no movimento da sociedade, Marx aponta que é só a ponta do iceberg, seu desdobramento.
“Agora temos, portanto, de conceber a interconexão essencial entre propriedade privada, a ganância, a separação de trabalho,capital e propriedade privada da terra, de troca e concorrência etc., de todo esse estranhamento com o sistema do dinheiro”pag. 80
E sobre esse mesmo aspecto, com um rico teor filosófico, que Marx apresenta o trabalho, como exteriorização da essência humana,através da transformação da natureza como atividade vital,mas o que fica claro já nas abordagens desse manuscrito é a apropriação dessa atividade universal não pelo trabalhador mas por outrem,é nessa cisão,na fragmentação, que Marx enfatiza sua reflexão.E aponta de maneira clara que a função universal, se tornou um meio de vida, essa sem sentido nenhum, a ponto do trabalhador não ter a dimensão de sua força motriz, e se reconhecendo como ser “cheio de vida” fora do trabalho.E o teor desse contraste é de tamanha grandeza, ao ponto de levar o universal, o que seria uma característica de realização do ser social, uma existência plena de sociabilidade, remete a uma posição oposta de reconhecimento de si.
“Chega-se,por conseguinte, ao resultado de que o homem (o trabalhador só se sente o [ser] livre e ativo em suas funções animais,comer,beber e procriar quando muito ainda habitação,adornos etc.,e em funções humanas [ se sente] como animal.O animal se torna humano, e o humano animal.
Comer,beber, e procriar etc.,são também é verdade,funções genuína [mente] humanas.Porém na abstração que as separa da esfera restante da atividade humana , e faz delas finalidades ultimas e exclusivas são [funções] animais.”pg83
Nesse conjunto de reflexão, a indagação pertinente é quanto de irracional se submete as relações proveniente do modo de produção, tornando tudo e todos coisificações, ao ponto do produto do trabalho se tornar o determinante da vida social, já não é o sujeito detentor de seu “destino” mas algo fora dele que o determinará e ao fazê-lo será epicentro de si,o moldurando de acordo com sua “vontade” de acordo com a reprodução do capital.
Nesse sentido sua abordagem longe de um empirismo se mostra na analise concreta no interior da realização do trabalho.
“ Através do trabalho estranhado,exteriorizado, o trabalhador engendra,portanto,a relação de alguém estranho ao trabalho – do homem situado fora dele – com este trabalho.A relação do trabalhador com o trabalho engendra a relação do capitalista (ou como queira nomear o senhor do trabalho )com o trabalho.
A propriedade privada é, portanto, o produto,o resultado, a conseqüência necessária do trabalho exteriorizado , da relação externa do trabalhador com a natureza e consigo mesmo.”pg 87
Nota-se que nesse esboço (1844) Marx faz o esforço de diagnosticar as amarras que não permite o homem de realizar seu caráter emancipatório,que desembocará na crítica da atividade econômica esmiuçada nas obras posteriores.